Eu não tive dilatação Por Ana Cristina Duarte

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Levanta o mouse para cada vez que você ouviu essa frase, e também se você a proferiu. Não, esquece, você deve ter outras coisas a fazer depois de algumas horas levantando o mouse sem parar.

Vamos aos chocantes fatos: não existe falta de dilatação. Mas por favor, antes que você comece a ranger dentes e ficar com os olhos vermelhos de ódio, leia esse texto até o fim. Se sobrar alguma dúvida ou restar a discordância, conversemos com amor!

A dilatação do colo do útero é um processo passivo que ocorre quando as contrações encurtam as fibras musculares do útero, empurrando o bebê para baixo e puxando o colo para cima. Essas contrações, uma após a outra, vão puxando o colo de tal forma contra a cabeça do bebê, que é como se ele estivesse vestindo uma blusa de gola muito apertada. Cada vez que o útero contrai no trabalho de parto, a gola veste mais um pedaço de milímetro de sua cabecinha.

A contração passa, o colo relaxa, mas não volta a fechar o que já abriu. Na contração seguinte, é puxado mais um pouco. Lá pelas tantas o colo “veste” toda a cabeça do bebê, em seu maior diâmetro. Essa é a “dilatação total”, e nessa hora o colo do útero tem aproximadamente 10 cm de diâmetro.

Porque então tantas mulheres (especialmente as usuárias do serviço privado) têm tantos problemas de dilatação? Bem, existem algumas causas, vamos a elas:

1) Se a mulher não entrar em trabalho de parto e não ficar em trabalho de parto, ela obviamente não terá dilatação (a não ser que tenha uma patologia que a faça dilatar precocemente). Portanto quando a mulher vai na consulta de 38, 39 semanas, e o obstetra diz que ela não tem dilatação, o certo seria responder: “Claro, doutor, se eu estivesse em trabalho de parto eu saberia”.

2) O trabalho de parto é caracterizado por contrações espontâneas de 3 em 3 minutos (aproximadamente), que duram de 1 minuto a 90 segundos. Em outras palavras, quando a mulher fica 12 horas “em trabalho de parto”, com contrações a cada 10 minutos, isso não era trabalho de parto. Isso eram os pródromos, o princípio, a fase de instalação do processo do parto.

3) Tem mulher que demora mais para entrar em trabalho de parto efetivo, e pode ficar 2 ou 3 dias com contrações ritmadas, mas que não chegam a engrenar nos 3 em 3 minutos. É preciso muita paciência e muita doula para lidar com essa longa latência, mas o fato é que uma hora ela vai entrar em trabalho de parto.

4) Quando a bolsa se rompe e não há dilatação, é necessário esperar. Após longa espera, é possível se induzir o parto. Uma indução bem feita (preparação do colo com prostaglandinas e posterior aumento da dinâmica com ocitocina) pode levar 48 horas facilmente. Nem todo serviço e nem todo obstetra está disposto a ficar 48 horas induzindo um parto.

5) Ocitocina aplicada numa mulher sem dilatação só faz provocar contrações dolorosas, intensas, e que não fazem o colo do útero dilatar. Muitas vezes essa é a “técnica de convencimento” que alguns profissionais usam para a mulher desistir do parto normal e pedir uma cesárea pelo amor de Deus.

6) Dependendo do estado de tensão da mulher, ela pode bloquear a dilatação ou ter um processo muito lento, absurdamente lento. Para essas mulheres, a analgesia de parto normal (peridural ou combinada, raqui não) pode ser um tremendo alívio e não foram poucas as vezes que vi mulheres estacionadas nos 3 ou 4 ou 5 cm há muitas horas evoluírem para parto espontâneo apenas duas horas após analgesia. E se duvidam, posso indicar um anestesista com quem trabalho e que já testemunhou inúmeros casos assim, para explicar como isso funciona.

7) Em dez anos trabalhando semanalmente com três equipes que têm 10% de cesarianas, mais de 400 mulheres atendidas por mim quando era doula, além das centenas atendidas por elas em que eu não estava presente, mas sim outras doulas, eu nunca vi uma cesariana feita por falta de dilatação. Nunca! Nos 10% de cesarianas em trabalho de parto entraram basicamente: estresse fetal antes da dilatação total ou desproporção céfalo-pélvica. Em outras palavras, as poucas cesarianas feitas antes da dilatação total foram feitas porque o bebê se cansou e não dava mais para esperar terminar o processo de dilatação, sob risco dessa espera fazer mal ao bebê.

8) Para chegar de fato nos dois últimos centímetros de dilatação e atingir a tal  “dilatação total”, o bebê já tem que estar descendo através da bacia pélvica. Por isso, nos casos em que há a verdadeira desproporção céfalo-pélvica, a mulher dilata até 8-9 cm. Talvez esse último centímetro que falta jamais venha a ser vencido. Após todas as tentativas de ajudar o nascimento, às vezes com algumas intervenções, pode ser que o bebê de fato não passe pela bacia pélvica, e nesse caso a cesariana seja feita quando a dilatação estacionou nos 8-9 cm.

9) A dilatação não é um processo simétrico. Ela depende da posição da cabeça do bebê. Normalmente o último centímetro a abrir está à frente da cabeça do bebê, próximo ao osso púbico materno, internamente. A esse último centímetro chamamos de “rebordo de colo” ou “rebordo anterior”. Com paciência, esse último centímetro desaparecerá, e o bebê nascerá. Às vezes pode ser preciso ou pode ser útil abreviar o tempo do parto reduzindo-se esse último centímetro com um exame de toque. Isso se chama “redução do colo”. É um processo doloroso, que deve ser evitado a todo custo, se possível.

10) A única coisa que pode impedir um colo de dilatar é um tumor grave no tecido. Tirando essa situação, todas as mulheres irão dilatar, se tiverem os recursos, tempo e equipe necessários.

Para aguardar que todas as mulheres dilatem, precisamos ter disponíveis profissionais bem dispostos, sem pressa, com repertório, incluindo parteiras, doulas, obstetras, anestesistas e pediatras. É preciso haver recursos completos para alívio da dor como ambiente agradável, bola, banqueta, banheira, chuveiro, massagem, alimentos, conforto para os acompanhantes, etc. E por fim, é preciso ter disponível analgesia de boa qualidade para as poucas mulheres que necessitam.

Saiba mais – Ana Cristina Duarte é Obstetriz formada pela USP, coordenadora do GAMA – Grupo de Apoio a Maternidade Ativa – www.maternidadeativa.com.br

Curiosidades da Partolândia Por Ana Cristina Duarte

Um texto breve e bem explicativo das “Curiosidades da Partolândia”, escrito pela vitaminada obstetriz Ana Cristina Duarte.

Curiosidades da partolândia: não existe dilatação de “5 dedos”. A dilatação se mede com 1 dedo, 2 dedos e a partir disso são centímetros, pois não dá para colocar 3 dedos, 4 dedos.. até dá, mas não é bonito. Então a dilatação vai em 1 dedo, 2 dedos, 3 cm, 4 cm… até 10 cm.

Curiosidades da Partolândia II: o que dilata é o colo do útero, aquela estrutura que fecha do útero e mantem o bebê lá dentro por 9 meses. É lá que a gente mede a dilatação. Depois disso, no canal do parto, vem só tecido elástico, que não precisa dilatar para o nascimento, mas sim “esticar”.

Curiosidades da Partolândia III: quando a bolsa se rompe, o bebê continua produzindo líquido amniótico através da urina, e sua cabecinha faz uma “rolha” que veda o colo do útero provisoriamente. Assim, ele sempre terá líquido amniótico ao seu redor! Não à toa que um bebê que nasce com bolsa rompida há muito tempo, frequentemente ainda vem numa torrente de água!

Curiosidades da Partolândia IV: não existe bebê que ficou mal porque “bebeu água do parto” ou porque “engoliu mecônio”. Bebês bebem água do parto durante metade da gestação, o tempo todo. E o mecônio é uma substância estéril e sem risco para o tubo digestivo. O perigo é a aspiração profunda de mecônio, porque obstrui os alvéolos. Já o líquido aspirado não chega a ser um problema importante.

Curiosidades da Partolândia V: todos os bebês nascem roxos, porque dentro do útero eles vivem o tempo todo com essa cor, sendo o útero um ambiente de baixa oxigenação. Só quando nasce e respira é que ele vai começar a ficar cor de rosa aos poucos. Portanto quando disserem “você passou da hora, tanto que nasceu roxo na cesárea”, desconfie do 171 obstétrico. Bebês nascem roxos, todos!

Curiosidades da Partolândia VI: Todos os bebês têm algum nível de icterícia fisiológica, aquele amarelo na pele e olhos. Eles nascem com excesso de hemáceas, que ao serem degradadas produzem a bilirrubina, substância amarela. Aos poucos o fígado metaboliza e a cor da pele vai voltando ao normal. São raríssimos os casos de icterícia patológica que requerem banho de luz. A imensa maioria dos bebês internados nas UTIs neonatais privadas estão lá ajudando a pagar o equipamento, só isso.

Curiosidades da Partolândia VII: O cordão umbilical não precisa ser cortado em nenhum momento específico. Se a família quiser, pode esperar a hora do banho da mãe, ou da pesagem do bebê. Se o bebê nasce na rua ou em casa, é para deixar o cordão ligado. O cordão não faz mal ao bebê! Não tenha pressa!

Curiosidades da Partolândia VIII: A gravidez humana dura EM MÉDIA 38 semanas a partir da concepção ou 40 semanas a partir da última menstruação. Quando falamos que a gestante está de 28 semanas, estamos contando da menstruação. Se fôssemos falar a partir da concepção, diríamos 26 semanas. A contagem em mês é artificial e aleatória. Com 28 semanas tem gente que chama de 7 meses, tem gente que chama de 6 meses, tem gente que chama de 6,5 meses. Contagem em meses não serve para nada.

Curiosidades da Partolândia IX: Apgar é uma nota que se dá ao bebê quando ele nasce. Não precisa fazer nada, só observar o bebê. A primeira nota se dá com 1 minuto de vida e não tem significado algum. A segunda nota se dá com 5 minutos de vida e diz mais ou menos as condições do recém nascido naquele momento. Qualquer nota acima de 7 no quinto minuto já é uma nota ótima. A nota do primeiro minuto não é levada em consideração em nenhum tipo de levantamento. É só para divertir a audiência.

Curiosidades da Partolândia X: A medida do comprimento do recém nascido não serve para nada, o bebê sempre está encolhido, então não dá para medir. Só serve para a diversão da galera, e não entra em nenhum levantamento de saúde. Nem entra na DNV, declaração de nascido vivo. É que nem medir o bíceps de um menino de 8 anos para saber se ele é forte. Se 3 pessoas medirem o recém nascido, teremos 3 medidas diferentes. A única medida que tem função é o peso.

Curiosidades da Partolândia XI: o cordão umbilical é preenchido de uma geléia elástica que faz com que ele seja praticamente “incomprimível”, mantendo assim os vasos sanguíneos bem protegidos. Por isso que em situações normais, circulares de cordão (seja quantas forem), não tem qualquer significado!

Curiosidades da Partolândia XII: na imensa maioria das situações, quem determina a entrada em trabalho de parto é o bebê. Quando seu pulmão (último órgão a amadurecer) fica pronto, começa a produzir surfactante, que cai no líquido amniótico e provoca uma reação em cadeia que faz a mulher entrar em trabalho de parto. Portanto quando a mulher não está em trabalho de parto significa que o bebê não está maduro, simples assim. Para entrar em trabalho de parto, não adianta escalda pé, acupuntura, comida apimentada e escrever cartas. O que adianta é pedir pro bebê produzir logo um pouco de surfactante

Ana Cristina Duarte é formada em obstetrícia em 2008 pela USP/EACH, faz atendimento de pré-natal e parto domiciliar. Mais infos: http://www.maternidadeativa.com.br/anacris.html

Aleitamento Materno

Por Lili Szili
Consultoria de Priscila Cavalcanti -
Doula de Amamentação

A espera é longa, são nove meses de ansiedade e após um longo caminho de gestação surge um novo ser, o bebê.

E agora? Uma das maiores questões do pós-parto é a da amamentação.

Muitas mulheres não se informam sobre isso na gestação com o pensamento de que é fácil amamentar, porém pode não ser algo tão simples assim.

Quando a mãe é de primeira viagem, as dúvidas e questionamentos sobre o aleitamento materno surgem como ondas e a preocupação vem a cada mamada. Será que meu leite é suficiente?

Então vamos lá, vamos começar a falar um pouco sobre as dúvidas e mitos mais frequentes em relação ao aleitamento materno.

Primeiramente, deve-se jogar fora o relógio. Essa questão de amamentar de três em três horas está batida. O bebê quando novinho ainda não tem a força suficiente para se alimentar de forma efetiva em uma única mamada. Mãe e filho ainda estão se conhecendo e se adaptando a essa nova fase, essa nova descoberta. Principalmente se estiver um dia muito quente. O leite materno surge em duas composições diferentes, o leite anterior (que é composto mais por água, vitaminas e açúcar) que o bebê utiliza para matar a sede (geralmente é uma mamada mais rápida) e obter energia mais rápido; e o leite posterior (que contém mais proteínas, gorduras e anticorpos, que mata a fome e sacia o bebê) responsável pelo ganho de peso do bebê.

Tabela do leite materno:

Nos primeiros dias de vida, a mãe ainda não tem o leite, mas sim o colostro. Essa fonte de alimento é uma das mais importantes, pois o leite é rico em anticorpos da mãe, fazendo um processo de imunização do bebê, quanto as doenças do dia a dia daquela familia especifica.

Entenda melhor o colostro:

Colostro é uma forma de leite de baixo volume secretado pela maioria dos mamíferos nos primeiros dias de amamentação pós-parto. Composto de vários fatores para o desenvolvimento e proteção como água, leucócitos, proteínas, carboidratos e outros. O colostro vai se transformando gradativamente em leite maduro nos primeiros quinze dias pós-parto.

O colostro tem uma importante função na imunidade passiva de algumas espécies de animais. Nele existem uma grande quantidade de imunoglobulinas, que em determinadas espécies não conseguem passar pela placenta, ficando a cargo total do colostro tranferir da mãe para o filho. Além da quantidade de imunoglobulinas, o colostro se difere do leite pela quantidade de sólidos totais, proteínas e demais fatores. Com o tempo, essas diferenças vão diminuindo e essa secreção vai se transformando em leite.

O colostro é também a única substância capaz de eliminar todos os resíduos de mecônio do trato gastrointestinal do bebê, ajudando o intestino a amadurecer e funcionar de maneira eficiente, além de prevenir o aparecimento de alergias, infecções e diarréia, pelo adequado controle e equilíbrio das bactérias que se desenvolvem no seu intestino. No dia do parto o colostro se apresenta ainda mais rico, daí as primeiras horas de vida serem chamadas por especialistas de “golden hours”.

Como o colostro é rico em células imunologicamente ativas, anticorpos e proteínas protetoras, funciona como uma primeira vacina, protegendo o bebê contra várias infecções.

Colostro ajuda a regular o próprio sistema imunológico em desenvolvimento:

  • É rico em vitamina A que ajuda a proteger os olhos e a reduzir as infecções.
  • Ao estimular os movimentos intestinais para que o mecônio seja rapidamente eliminado, ajuda na prevenção da icterícia.
  • Vem em volumes pequenos, de acordo com a capacidade gástrica de um recém-nascido.

fonte: wikipedia

A pega é muito importante, pois uma boa pega faz com que a mãe não tenha fissuras no mamilo. Também impede o bebê de engolir ar durante a mamada, o que causaria a sensação de estomago cheio, seguido de cólicas e mamadas mais frequentes.

Como fazer a pega:

O bebê deve abrir bem a boca e abocanhar toda a aréola

Pode-se usar utensílios que auxiliem no controle de vazamentos e formar bicos?

Hoje, após algumas pesquisas, chegou-se a conclusão de que acessórios podem causar lesões, fungos e mastites.

O que é recomendado em casos de bico rachado é seio de fora, assepsia com leite materno após cada mamada e, se possivel, tomar sol para uma boa cicatrização (15 minutos de sol, antes das 10h da manhã e aós as 16h30). Tem mulheres que optam nesse período por fazer compressa gelada com chá de camomila, para acalmar a pele ou casca de mamão, mas o importante é deixar hidratado, porém não úmido, por isso o leite materno é ideal para essas situações.

Quando se tem uma mama muito cheia, o bebê dificilmente vai conseguir fazer a pega correta, o ideal é ordenhar manualmente um pouco para que ele possa abocanhar a aréola de forma completa.

E quando o seio está duro e dolorido, o que fazer?

Geralemente isso acontece quando se tem uma produção muito grande e se ordenha muito pouco, o leite fica parado nos ductos entupindo-os, acusando essa sensação de empedramento. O ideal nesse caso é muita massagem no seio, compressa fria (por no máximo 5 minutos, para evitar “efeito rebote” e aumento na produção) e ordenha manual. Recomendamos também colocar o bebê para mamar mais vezes, esvaziando assim a mama empedrada.

Após esse período, o leite vai amadurecendo, se adequando a cada fase de vida do bebê. A produção de leite materno ainda é grande, pois o corpo precisa entender o quanto ele precisa produzir para que seu bebê seja bem alimentado. Conforme o tempo vai passando (isso varia muito de cada mulher) o corpo vai adequando a produção fazendo com que não haja mais vazamentos. É bacana quem tem uma produção grande fazer doação de leite materno a hospitais credenciados, pois ele salva muitas vidas de bebês prematuros.

O leite diminuiu, e agora?

Muitas mulheres nessa fase de dois, três meses de pós-parto acham que o leite “secou”, pois ele não vaza mais como antes, mas é só o corpo adequando a quantidade à demanda. Não se preocupe que seu leite não secou, não precisa dar fórmula ao seu bebê, muito pelo contrário, quanto mais seu bebê mamar mais leite a mãe irá produzir.

Quanto à alimentação, ela influencia na qualidade do leite?

Não, a alimentação da mãe não influencia na qualidade do leite. Mulheres subnutridas produzem leite adequado a seus bebês, o corpo delas é que sofre com isso, pois o leite tira tudo o que pode delas.  O importante é evitar alimentos fortes, apimentados, com cafeína e prestar muita atenção no bebê, pois é ele quem vai apresentar o sintoma de intolerância do alimento ingerido.  (cólicas, náusea, vermelhidão no corpo, insônia e outros) É muito importante nesse período evitar a ingestão de álcool e drogas.

Pode-se fazer dietas?

Dietas nessa fase são perigosas, o importante é a mãe fazer uma alimentação saudável e balanceada. Pode-se optar por exercicios físicos como caminhada para se manter a forma.

É muito importante não desistir. A mãe deve ficar atenta, no caso de uma dificuldade na amamentação ou pouco ganho de peso do bebê. Ela não deve entrar diretamente com a fórmula. Existem outros recursos antes de cair na mamadeira. Uma consultoria com uma profissional especializada (doulas pós-parto) auxilia a mãe nas dúvidas ou dificuldades; e/ou uma consulta com um pediatra especializado em aleitamento materno garante um grande sucesso no aleitamento.

Como armazenar o leite materno?

Após a mamada do bebê, pode-se ordenhar a mama manualmente, ou com bomba elétrica e armazenar o leite ordenhado em um frasco de vidro esterilizado (fervido e secado ao natural). Em refrigerador por 24 hs ou no congelador/freezer por 15 dias (importante deixar descongelar naturalmente, sem microondas ou banho maria).

O mais importante de tudo, um bebê alimentado com leite materno não necessita de chás, água e nada, somente o leite da mãe.

Para doação de leite:

BANCOS DE LEITE HUMANO ESTADUAIS (os demais bancos de leite do Estado podem ser encontrados no site www.fiocruz.br/redelh )

*fonte: uol guia do bebê

1.HOSPITAL MATERNIDADE LEONOR MENDES DE BARROS
Avenida Celso Garcia, 2477 – 3º andar – Belenzinho – São Paulo

2. HOSPITAL MATERNIDADE INTERLAGOS
Rua Guaiuba, 312 – Interlagos

3. HOSPITAL IPIRANGA
Avenida Nazaré, 28 – 7º andar – São Paulo

4. CONJUNTO HOSPITALAR DO MANDAQUI
Rua Voluntários da Pátria, 4301 – São Paulo

5. HOSPITAL REGIONAL SUL
Rua Gen. Roberto Alves de Carvalho Filho, 270 – Santo Amaro

6. HOSPITAL SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL
Rua Pedro de Toledo, 1800 – 1º andar – Ibirapuera – São Paulo

7. HOSPITAL GERAL DE VILA PENTEADO
Avenida Ministro Petrônio Portela, 1642 – São Paulo

8. HOSPITAL GERAL DE ITAPECERICA DA SERRA
Rua Santa Cruz, 200 – Itapecerica da Serra

9.HOSPITAL ESTADUAL MARIO COVAS – SANTO ANDRÉ
Rua Doutor Henrique Calderazzo, 321  – Santo André

10. HOSPITAL GERAL DE PEDREIRA
Rua João Francisco Moura, 251 – Vila Campo Grande

11. HOSP. DAS CLÍNICAS DE RIBEIRÃO PRETO
Rua 7 de setembro, 1050 – Ribeirão Preto

12.HOSPITAL REGIONAL DE ASSIS
Praça Symphronio Alves Santos, s/nº – Centro – Assis

13.CONJUNTO HOSPITALAR DE SOROCABA
Avenida Comendador Pereira Inácio, 564 – Sorocaba

14. CAISM – CENTRO DE ATENÇÃO INTEGRAL A SAÚDE DA MULHER (UNICAMP)
Av. Alexander Fleming, nº. 01 – Cidade Universitária Zeferino Vaz – Campinas

15. HOSPITAL GUILHERME ÁLVARO (SANTOS)
Rua Oswaldo Cruz, 197, Boqueirão – Santos

Encontro de Humanização de Assistência ao Parto e Nascimento em Sorocaba

Encontro de humanização voltado para profissionais que atendem e trabalham diretamente com parto e nascimento. Com palestras de profissionais da área, tem o objetivo de discutir e informar o aspecto geral de hoje na assistência ao nascimento.

 

Inscrições no site: http://mahpsorocaba.wordpress.com/2012/02/08/inscricoes-para-o-ii-encontro-de-humanizacao-da-assistencia-ao-parto-e-nascimento-28022012/

Liberdade

Li hoje uma matéria sobre parto dizendo que os fatores econômicos predominam na escolha pela cesárea. A matéria mostra uma ponta da realidade no atendimento a parturiente no Brasil.

“a remuneração recebida pelos médicos pelas cesáreas aparece como fator mais “determinante” na escolha do tipo de parto. A análise foi feita com base nos partos realizados por um plano de saúde do estado de São Paulo entre 2004 e 2009. A conclusão é a de que, quanto maior a diferença de valores entre os partos cesarianos e normais, mais cesarianas foram feitas. Nesse caso, a remuneração paga por cesáreas era mais alta.”

O fator econômico x comodidade é apenas um dos vários outros que vemos no dia a dia. Outros fatores como falta de conhecimento do próprio corpo, falta de informações sobre o processo gestação/parto, médicos despreparados para acompanhar partos normais devem ser considerados. Jogar a culpa somente no fator econômico é hipocrisia, pois estamos deixando de considerar todos esses outros que são tão importantes na decisão de um parto seguro.

A desinformação da mulher em relação ao processo como um todo também é algo preocupante. A relação de confiança que a mulher tem com seu profissional é um fator agravante.

“Como o médico era de muita confiança, Iêda não acredita que ela a tenha induzido à cirurgia por uma questão de comodidade.”

 Com um joguinho psicológico, o médico consegue convencer a mulher de que parto normal é coisa antiga, gerando um confito psicológico de que o corpo dela não funciona direito e de que ela não é capaz de parir.

“pouquíssimas mulheres escolheram a cesariana por medo da dor do parto normal: apenas 4% das 23.580 entrevistadas. A maioria (25%) diz que a cesárea foi escolhida por falta de dilatação.” 

Se falta de dilatação é indicativo de cesariana a natureza está nos pregando uma peça não? Ou ela está fazendo um controle natural populacional, ou temos médicos despreparados. 

Ouvi outro dia de uma gestante que acabou indo para a cesariana eletiva porque sua médica disse que falar sobre o parto era somente nas últimas consultas, e que não importava a via de nascimento, o importante era que mãe e bebê estivesse bem.  Nesse caso, ela perdeu a essência da real necessidade de um pré-natal. Não é somente para ver a questão da saúde, mas o profissional tem a obrigação de informar a mulher, ensinar, conversar sobre o processo que ela vai passar. Essa mãe hoje tem uma pontinha de culpa por não ter enfrentado a situação e feito diferente.

“Tornou-se cultural a opção pela cesariana, por causa de múltiplas variáveis, mas as mais relevantes são a remuneração médica e a cultura da mulher, que não quer sentir dores.” 

Em uma gestação consciente, um dos medos que deve-se trabalhar com a mulher é o da dor. A dor está lá, é ela que te ajudará a trazer o bebê mais perto, ela faz parte do processo de nascimento.

Olhando agora o lado do profissional, este também não tem o minimo de preparo para acompanhar um parto normal. “Ele me induziu ao parto cesáreo, mas realmente não sei se foi por questões reais ou se por comodidade. Como eu confio muito nele, prefiro acreditar que foi por uma questão médica mesmo”

Se por ironia do destino ou por um bebê bungie jump ele precisa fazer um parto normal, entra toda a medicina tecnicista, com suas colheres de fórceps, episio e kristeller.  Profissionais sem experiência alguma com parto normal. Parto normal é fisiológico e intercorrências podem acontecer, um profissional bem treinado, bem preparado para atender um parto normal tem uma grande chance de sucesso. Não é só a população que precisa ser re-educada, mas os médicos precisam de experiência em parto normal e não somente o parto cirúrgico como é hoje em dia.

“Espero que o estudo ajude nos debates sobre o gasto que estamos fazendo com saúde e como reverter a quantidade imensa de cesarianas feitas no País”


Realmente o gasto é alto e um trabalho de parto pode ser longo. “Não tem estrutura que pague um profissional que se dedique a ficar horas e horas a fio ao lado da paciente”

O médico pode não ter a disponibilidade de ficar com a mulher em todo o processo, mas é ai que entra o papel da doula. Porque não fazer mais parcerias com as doulas? Porque não incentivar as doulas e obstetrizes a participarem do processo?

Na verdade, o modelo ideal é o parto assistido por obstetrizes e não por médicos. Médicos resgatam vidas, ou seja, eles entrariam nessa em caso de gestação de risco. Será que ninguém ainda pensou em copiar um modelo europeu de atendimento a partos?

É um dos caminhos de mudança, já que na matéria a Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) diz que reverter o cenário brasileiro será difícil. Eu não acredito que seja impossivel, precisamos de novas regras. Será que ninguém lembra de como foi a educação cultural do uso do cinto de segurança? Se o atendimento a parturiente tomar um outro rumo, quem sabe não teremos sucesso em algo que vejo como um problema de saúde pública. Abrir mais casas de parto, dar incentivo a grupo de apoio a maternidade consciente, preparar profissionais para o parto domiciliar. Tudo isso é questão de educação. Educação leva tempo e pra isso precisamos de comprometimento do governo para educar uma população que vem de uma cultura de medo para uma cultura de liberdade de escolhas.

O parto ideal é aquele que a mulher participa ativamente, com liberdade de agir, liberdade de escolha, liberdade de expressar o que ela sente, liberdade de escolher a posição confortavel… QUEREMOS LIBERDADE!

Enquanto os profissionais não forem bem preparados para acompanharem partos naturais com grandes chances de sucesso, enquanto as mulheres não tomarem conta de seus corpos sendo dona de todo o seu processo, enquanto os convênios/governo não entenderem que  disponiblizando um parto saudável e de qualidade  para mãe e bebê, consequentemente o custo com UTI neonatal e mortalidade materna irá cair. Basta incentivar, educar e propagar para que tenhamos um grande sucesso no respeito ao nascimento.

link para a matéria http://delas.ig.com.br/saudedamulher/fatores-economicos-predominam-na-escolha-por-cesarea/n1597411083857.html